Como os homens terminam

Uma observação repetida por quem acompanha separações: homens e mulheres tendem a sofrer em tempos diferentes. Ela costuma estar pior nos primeiros meses; ele, depois — às vezes um ano depois.

A explicação não é que um sofre mais. É como cada um processa e quando.

Os primeiros meses

Muitos homens atravessam o início ocupados. Trabalho, academia, reforma na casa nova, vida social intensa. De fora, parece resiliência.

Frequentemente é adiamento. A rotina cheia impede o silêncio, e é no silêncio que o processo acontece.

Some a isso um detalhe: homens costumam ter menos gente com quem conversar sobre isso. A elaboração que a mulher faz falando com três amigas ao longo de dois meses, ele às vezes não faz nunca.

Por que a conta chega depois

Chega quando a ocupação acaba: a reforma termina, o trabalho estabiliza, a novidade da vida nova passa. Aí sobra o que não foi processado, e chega tudo junto.

É por isso que tanto homem descreve o pior momento como sendo por volta do primeiro ano — quando todo mundo em volta já considera o assunto resolvido.

A pressa de substituir

Homens recomeçam relacionamentos mais rápido, em média. Parte disso é oportunidade, parte é a dificuldade de ficar sozinho com o que aconteceu.

Relações que começam nesse ponto carregam um peso que não é delas. A nova pessoa acaba fazendo, sem saber, o trabalho de elaboração que ficou pendente — e isso raramente sustenta um vínculo.

O que costuma ajudar de verdade

Falar com alguém. Um amigo, um irmão, um profissional. Não uma vez: com alguma regularidade, por alguns meses.

Não decidir nada grande no primeiro semestre. Vender casa, mudar de cidade, pedir demissão — decisões tomadas nesse período costumam ser revistas depois com arrependimento.

E manter algum contato com a própria história: não apagar fotos, não fingir que vinte anos não aconteceram. O que se apaga por fora costuma voltar por dentro.

O sinal de que está passando

Não é parar de pensar na pessoa. É conseguir pensar nela sem que o dia inteiro mude de cor por causa disso — e isso leva o tempo que leva, com uma variação enorme de pessoa para pessoa.

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